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Trasnformar um idéia em uma oportunidade de negócio

Transformar uma ideia em uma oportunidade de negócio no momento certo para o mercado

A idealização de uma solução é um momento cercado de muito entusiasmo e excitação do empreendedor, que precisa ser avaliada, modelada e enriquecida, para que seja transformada em uma oportunidade de negócio. Diferenciar uma ideia de solução genial de uma oportunidade de negócio é o primeiro passo fundamental para a construção de um negócio promissor, onde essa transformação é parte de um processo criativo e disciplinado, com foco em entender mais do problema ou necessidade, definir a proposta de valor ofertada e conhecer mais o cliente, passando pela análise do tamanho do mercado e seus competidores, assim como os fatores que diferenciam a solução idealizada da concorrência.

Em 2015, Bill Gross, fundador da Idealab, uma incubadora e aceleradora de startups com sede em Los Angeles, apresentou o resultado de um estudo científico elencando os principais fatores que contribuem para o sucesso de um startup. Desde a fundação da Idealab em 1995, Bill participou da fundação de mais de 100 empresas, incluindo Citysearch, CarsDirect, GoTo, NetZero e Tickets.com, tendo ainda participado em 35 processos de oferta pública de ações e aquisições. No estudo ele analisou de forma quantitativa os fatores em 100 empresas integrantes do modelo Idealab e 100 empresas que não tiveram passagem pala Idealab, incluindo Flooz, YouTube, Uber, Pets.com, Instagram, AirBNB, Kozmo, LinkedIn, Friendster.

O estudo apontou que o momento de entrada da solução e negócio no mercado é o fator mais relevante para o sucesso de um startup. Na prática significa avaliar se o mercado está preparado para consumir a solução que será ofertada, caso não esteja, pode ser cedo demais para o lançamento. No outro extremo, um mercado com grande concorrência e pouca oportunidade para diferenciar a oferta, pode significar que é muito tarde para entrar e competir.

Mercados com baixa taxa de crescimento e alto índice de saturação e concorrência, tendem a uma queda de preços constate, gerando menos oportunidades para o startup capturar valor no mercado e focando muito tempo da atenção do empreendedor em uma competição pouco relevante.

Para Ivan Huang, fundador da Bonzer, entender o mercado de nicho e se aprofundar nas soluções de transporte existentes foi o ponto de partida, para criar a oportunidade de negócio a partir de um problema de mobilidade urbana local e a ideia de facilitar o transporte entre as universidades de Harvard e MIT com conveniência, a um preço competitivo.

Em média usuários de táxi percorrem 5 milhas, enquanto usuários de bicicleta 0.9 milhas. Assim, desenvolver uma solução de mobilidade urbana que dê cobertura para percursos entre 0.9 e 5 milhas e principalmente, considerar pontos estratégicos onde o transporte público não fornece cobertura ou possui baixa qualidade, com alto tráfego de pessoas dispostas a pagar por um deslocamento com mais conveniência, embasaram a proposta de valor e modelo de negócio que suportaram a definir o tamanho do mercado e oportunidade de negócio da Bonzer.

Com a tendência de crescimento da indústria da economia compartilhada, e competindo em um mercado emergente de R$ 60 bilhões, onde empresas como Avis, Enterprise, Ford e BMW começam a investir no mercado e competidores como Zipcar e CAR2GO continuam crescendo, Ivan procurou agregar valor para diferenciar a Bonzer, como por exemplo a possibilidade do cliente reservar um estacionamento direto do aplicativo e a utilização de carros elétricos de pequeno porte, que trazem menor custo operacional, além da preocupação com a sustentabilidade do planeta.

A combinação de ideias existentes em diferentes mercados e em outros contextos, ajudam a desenvolver vantagem competitiva para transformar mercados existentes ou criar novos mercados. O resultado forma uma nova curva de valor, capaz de ampliar o tamanho do mercado ao qual o startup compete e a associa a atributos totalmente novos, reconhecidos e apreciados pelos clientes.

As recompensas pela criação de novos mercados ou transformação de mercados existentes são enormes. Fundadas em 2008 e 2009 respectivamente, Airbnb e Uber, são dois startups bilionários de capital privado. Ambas surgiram em um momento de resseção, onde as pessoas buscavam alternativas para complementar a renda. Com uma proposta de valor diferenciada, poucos competidores e o momento oportuno de mercado, aliada a capacidade de visão e execução de seus fundadores, elas se transformaram em fenômenos globais. Nos últimos anos a Apple fez uma série de movimentos bem-sucedidos para a criação de novos mercados, lançando iPod, o iTunes, o iPhone, a AppStore e o iPad. De 2001 a 2014, o valor de mercado da Apple cresceu mais de 75 vezes, com uma explosão de vendas e lucros.

Idealizado em 2006, o iFood foi para o mercado apenas em 2011, como uma plataforma web para pedidos e entregas de comida online, um mercado emergente estimado em R$ 15 bilhões no Brasil, que no momento tinha poucos concorrentes como RestauranteWeb, Peixe Urbano e HelloFood. Felipe Fioravante e Patrick Sigrist, acreditam que apesar da demora no lançamento devido ao surgimento de outras prioridades, o iFood foi lançado em um momento oportuno. O mercado estava maduro para assimilar a tecnologia e utilizar processos com meios de pagamento eletrônico, com concorrentes que ajudavam a educar e desenvolver os clientes, em um mercado ainda pouco explorado e em constante crescimento. A experiência prévia como sócios na Disk Cook, uma empresa responsável pelo atendimento de clientes através de telefone e entrega de pedidos para restaurantes, ajudou a acompanhar as tendências tecnológicas e o ciclo de adaptação dos clientes, para avaliar o mercado potencial, criar um modelo de negócio competitivo e ofertar uma proposta de valor bem estrutura. Se o iFood tivesse sido lançado em 2006 poderia não ter tido o mesmo sucesso, uma vez que o mercado e clientes ainda não estavam maduros para as mudanças tecnológicas, requerendo assim alto investimento na educação e desenvolvimento do mercado.

Encontrar nichos de mercado, baseado em segmentos ou públicos cujas necessidades particulares são pouco exploradas ou inexistentes, é uma prática cada vez mais utilizada por startups para desenvolver oportunidades de negócio.

Um caso de sucesso que investiu em atender as necessidades de um mercado de nicho no Brasil é a Flores Online. A partir da experiência operacional de sua mãe com o ateliê Fátima Casarini Flores e a imersão do nicho de mercado de venda de flores pela internet, que estava emergindo nos Estados Unidos, liderado pelo startup 1-800-flowers, Marcelo e Eduardo Casarini, fundaram a Flores Online com sua família em 1998. Partindo da premissa que as pessoas já compravam flores por telefone, o modelo de negócio original era focado em desenvolver um conceito de sofisticação, através da oferta de buques de flores diferenciados e de alta qualidade, para consumidores de classe A e B na cidade de São Paulo. Assim, desenvolveram uma vantagem competitiva e barreiras de entrada para os concorrentes na internet. Com o sucesso, fecharam uma parceria com a DHL e ampliaram seu modelo de produção e distribuição, para assim comercializar flores pela internet para o Brasil todo.

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